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quarta-feira, 25 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27855: Esposas de militares no mato (3): Bissorã, em 1964/66 e em 1973/74



Guiné > Região do Óio > Bissorã > c. 1973/74 > Maria Dulcinea (Ni), esposa do nosso camarada Henrique Cerqueira, que esteve com o marido e o filho Miguel  em Bissorã, de outubro de 1973 a junho  de 1974 (*). [O Henrique Cerqueira foi fur mil, 3.ª CCAÇ / BCAÇ 4610/72, e  CCAÇ 13, Biambe e Bissorã, 1972/74]


Guiné > Região do Óio > Bissorã > c. 1973/74 > Miguel, o filho do Henrique Cerqueira, e da Maria Dulcinea (Ni),  com a filha de um capitão da CCS, no quintal da casa dos Cerqueira.


Guiné > Região do Óio > Mansoa > c. 1973/74 > Miguel, a Maria Dulcinea (Ni), de costas, com a esposa de um outro militar de Bissorã, também de costas, em visita a Mansoa.

Fotos (e legendas); ©  Maria Dulcinea (Ni) / Henrique Cerqueira  (2011), Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

 

Guiné > Região do Oio > Bissorã > CCS/BCAÇ 2861 (Bula e Bissorã, 1969/70) > Vista aérea (parcial): centro de Bissorã, onde se situava a Casa Gardete (8), o melhor edifício da povoação, sede de circunscrição (concelho).

Legendas [Armando Pires]:

1 – Caserna da CCAÇ 2444, e,  depois, da CCAÇ 13 | 2 – Sede da Administração de Bissorã |  3 – Enfermaria civil | 4 – Messe de oficiais | 5 – Secretaria da CCS BCAÇ 2861, Transmissões e espaldões de morteiros | 6 – Casernas e refeitório da CCS | 7 – Quartos de sargentos da CCS e bar | 8 – Secretaria do comando do batalhão no r/c e quartos dos oficiais no 1º andar !  14 – Campo de futebol.

Foto: Cortesia da página do © Carlos Fortunato : CCAÇ 13, Leões Negros >  Guiné - Bissorã  [Edição: LG /AP]


1. Continuação da nossa volta à procura de esposas de militares no mato (*) (e,  na Guiné, o mato era à saída de Bissau: Safim, Nhacra, Mansoa...), 

De Bissau a Mansoa já eram 60 km por estrada alcatroada, mas a partir daí começava o temível Óio. Em Bissorã estávamos no coração do Oio. 

Temos referências a esposas de militares em 1964/66 e em 1973/74 em Bissorã... Mas é possível que as houvesse também no tempo do BCAÇ 2861 (1969/70). 

O Armando Pires (que faz anos na sexta feira) pode confirmar ou corrigir esta informação.  Bissorã era sede de circunscrição e uma povoação importante. Havia comerciantes libaneses. E, portanto, senhoras libanesas. Era também a terra de um filho ilustre da Guiné, o médico Manuel Gardete Correia.


(i) Rogério Cardoso (ex-fur mil, CART 643/BART 645, Bissorã, 1964/66; tem mais de 6 dezenas de referências no nosso blogue, que integra desde dezembro de 2009; é membro também da Tabanca da Linha):

(...) Em 1964 e 1965 a Cart 643, "Águias Negras", estava sediada em Bissorã. O seu 1.º sargento,  de nome Rogério Meireles, estava acompanhado da mulher e de uma filha de pouca idade, residia numa pequena casa fora do aquartelamento. 

Acabou ao fim de um ano deixar de pertencer à companhia  por ter problemas de estômago, e deste modo foi embora com a família. Digo de passagem que foi o melhor que ele fez, pois, quando de alguns ataques noturnos, aquelas pobres sofriam bastante. 

Também o furriel vagomestre mandou ir a mulher, que chegou a Bissau no dia seguinte a ele ter sido ferido, mas sem gravidade. 

Ele ao fim de uns meses também mandou a mulher de regresso, pelas mesmas razões do anterior caso.


(ii) Carlos Alberto Fraga (foi alf mil na 3.ª CCAÇ/BCAÇ 4612/72, em Mansoa, na segunda metade do ano de 1973; foi adjunto, num curto período de 4 meses, até finais de 1973, do cap José Manuel Salgado Martins, indo depois ele próprio comandar, como capitão, uma companhia em Moçambique, a seguir ao 25 de abril de 1974; tem 26 referências no nosso blogue, que integra desde 2013)

 (...)  eu estive em Mansoa e quando lá estive não havia familiares de militares, embora me dissessem que em tempos esteve lá um casal (um alferes miliciano e mulher). 

Mansoa era uma zona bem protegida com várias companhias, etc, etc. Mas, em Bissorã, cerca de 30 kms a Norte, um local menos defendido do que Mansoa, aí havia familiares de um oficial superior. (...)


(iii) Maria Dulcinea (Ni) (esposa do Henrique Cerqueira, ex-fur mil, 3.ª CCAÇ / BCAÇ 4610/72, e  CCAÇ 13, Biambe e Bissorã, 1972/74; tem cerca de 3 de dezenas de referências no blogue, que integra desde 2011; não temos notícias do casal há muito, vai daqui um alfabravo para eles e para o Miguel que já deve ter c. 55 anos e, felizmente, não ter nenhumas recordações dos ataques do PAIGC)

(...) Quando chegamos a Bissorã e entro na nossa 'Casa' fiquei espantada pois estava decorada com assentos dum carocha, as camas eram da tropa, tínhamos um frigorífico a petróleo, a casa de banho eram dois bidões de chapa. 

Tínhamos chuveiro pois o Henrique conseguiu ir buscar água bem longe (daí a explicação do seu estado de magreza pois que arranjou casa, fez uma abrigo, decorou a casa e sempre fazendo a sua actividade militar, porque na CCAÇ 13 não se mandriava).

Quanto à nossa alimentação, foi organizada do seguinte modo: as refeições dos adultos vinham duma espécie de restaurante ("O Labinas") que tinha um acordo com a tropa, mas as refeições do nosso Miguel era eu que as confeccionava com artigos comprados na messe e outros sempre que possível na população.

Entretanto eu e o Henrique tirámos a carta de condução no mesmo dia em Bissau. Não pensem que nos facilitaram a vida, não, pelo contrário, foram bem exigentes no exame em Bissau.

Para além de ter tido um Natal muito especial em 1973, com pinheirinho (uma folha de palmeira enfeitada), rabanadas e aletria, tudo isto foi enviado pela família da metrópole. Mas o que mais gostei foi ter partilhado esse Natal com outros soldados que invadiram a nossa casa que até se esqueceram que havia algures por ali uma guerra.

Entretanto veio o 25 de Abril, e tive a oportunidade de ir cumprimentar o pessoal do PAIGC ainda no seu estado de combatentes inimigos. 

Uns dias antes os "patifes" tinham-nos bombardeado com foguetões, porque pareciam não estarem satisfeitos com o susto que me pregaram em dezembro, ao infligirem-nos um bruto ataque que foi o meu baptismo de fogo.  (...)

Em junho [de 1974] regresso a Portugal com o Miguel, e em julho regressa o Henrique, e uma vez mais fui ter com ele a Lisboa ao RALIS onde foi (fomos) definitivamente desmobilizado[s].

(...) Antes de acabar, lembro que em Bissorã viviam mais senhoras, esposas de militares, ou seja, dum soldado, dum furriel e de um capitão que tinha uma menina linda de quem vou tomar a liberdade de publicar a foto, junta com o meu Miguelito. (...) (**)

(Seleção, fixação/revisão de tempo: LG)

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Guiné 63/74 - P16611: Inquérito 'on line' (76): Dúvidas dos respondentes: (i) quando se esteve em dois ou mais quartéis diferentes (Carlos Alberto Fraga, Mansoa, 2.º semestre de 1973); e (ii) o caso específico das tropas africanas e suas famílias que as acompanhavam (José Martins, Canjadude, 1968/70)



Guiné > Região do Oio > Mansoa > BCAÇ 4612/72 > "Numa picada numa operação de patrulhamento. Eu estou em primeiro plano. À frente os guias. Creio que foi numa picada que ia de Mansabá em direcção ao Sara-Changalena, picada que não era utilizada há anos e que pretendiam reabrir para aceder directamente a uma localidade que não me lembro o nome, picada que atravessava o Sara-Changalena".

Foto (e legenda): © Carlos Alberto Fraga (2011). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís
Graça & Camaradas da Guiné]


I. Mensagem de Carlos Alberto Fraga que foi alf mil na 3.ª CCAÇ/BCAÇ 4612/72, em Mansoa, na segunda metade do ano de 1973 [foi adjunto, num curto período de 4 meses, até finais de 1973, do cap José Manuel Salgado Martins, indo depois ele próprio comandar, como capitão, uma companhia em Moçambique, a seguir ao 25 de abril de 1974].

Data: 17 de outubro de 2016 às 10:42
Assunto: inquérito

O inquérito sobre os familiares no mato parece-me que pode conduzir a erros, da maneira que está formulado.

Por exemplo, eu estive em Mansoa e quando lá estive não havia familiares de militares em Mansoa, embora me dissessem que em tempos esteve lá um casal (um alferes miliciano e mulher). Mansoa era uma zona bem protegida com várias companhias, etc, etc. Mas, em Bissorã, cerca de 30 kms a Norte,
um local menos defendido do que Mansoa, aí havia familiares de um oficial superior.

Portanto,  respondendo só sobre Mansoa, a resposta é não; respondendo mais genericamente,  a resposta é sim por causa de Bissorã. Qualquer das respostas não será exacta.

Cidades como Bissau, Nampula, Beira, Nacala, Vila Cabral etc.,  creio que não podem ser consideradas «mato». Aí havia montes de familiares de militares. Eram zonas seguras. Parece-me que o objectivo do inquérito - ou terei percebido mal -, se referia a zonas não totalmente seguras.
O «mato» por definição não é uma zona segura.

Abraço
Fraga


Guiné > Zona leste > Região do Gabu > Recepção do povo de Nova Lamego ao Ministro do Ultramar, 14 de Março de 1970 (**)

Foto (e legenda): © José Corceiro  (2010). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


III. O comentário do nosso colaborador permanente José Martins [ex-fur mil trms, CCAÇ 5, Canjadude, 1968/70] levanta a questão da especificidade das tropas africanas, como era o caso da CCAÇ 5 - Os Gatos Pretos -, que estiveram sempre em Canjadude, região de Gabu (*):

No meu caso, por estar colocado numa unidade da Guarnição de Recrutamento Local, estas questões são um pouco atípicas.

As tropas africanas, na sua maioria, pelo menos na CCAÇ 5, eram casados e alguns com já bastante tempo de tropa. Em 1974, quando foi extinta, havia recrutados de 1961, tendo, nesse caso, feito o pleno da guerra.

As mulheres e os filhos, que viviam na parte civil agregada ao quartel, só não os acompanhavam nas operações no mato. Nas colunas à sede do batalhão, marcavam sempre presença.

No caso de europeus, apenas, e estou a tentar reportar desde 1961 a 1964, apenas houve uma
residente efetiva. A esposa de um capitão que foi destacado do comando da CCS do Batalhão de Nova Lamego, para a CCAÇ 5. Em tempo recorde foi construído, dentro do perímetro militar, um abrigo para alojar o casal. A senhora ficou em Nova Lamego apenas o tempo da construção do abrigo. Assim que ficou "habitável" o abrigo,  transferiu-se para Canjadude, frequentando o refeitório dos graduados, nas refeições, à excepção do pequeno almoço, que o serviço de "catering" lhes levava.

Um outro caso, posterior à minha presença: houve um Furriel QP que esteve doente, vindo a falecer, que não foi evacuado, mas foi "patrocinada" a presença da esposa no aquartelamento.

Portanto, a minha resposta  é Sim, estiveram no aquartelamento mulheres e filhos, de militares, quer africanos quer europeus.


Guiné > Zona leste > Região de Gabu > Nova Lamego > CART 2479 / CART 11 (1969/70) > Saída de Nova Lamego para Canquelifá com "armas, bagagens, mulheres e filhos dos nossos soldados"

Foto (e legenda): © Valdemar Queiroz (2014). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


III. Comentário do editor, respondendo às dúvidas levantadas sobre o inquérito a decorrer até 5.ª feira...

Recorde-se que o nosso questionário tem a seguinte configuração:

"NO MATO, NO(S) SÍTIO(S) ONDE EU ESTIVE, NA GUINÉ, HAVIA FAMILIARES NOSSOS"...


1. Sim, esposas (não guineenses)

2. Sim, esposas e filhos (não guineenses)

3. Sim, familiares guineenses (sem ser das milícias)

4. Não, não havia

5. Não aplicável: não estive no mato

6. Não sei / não me lembro

A questão que o Carlos Fraga nos coloca amavelmente é pertinente, mas tem de ser resolvida com bom senso, objetividade e honestidade: o Carlos esteve em Mansoa, na região do Oio, na segunda metade de 1973,  e nessa altura não havia familiares de militares, metropolitanos, a viver no quartel (e vila) de Mansoa. (Não importa se, por exemplo, no tempo do César Dias, em 1969/71, a situação fosse outra, e ele tivesse convivido com familiares de militares nossos.)

Mas ele tem conhecimento de que em Bissorã. mais a nordeste, também na região do Óio, há um oficial superior que tem lá familiares... Mansoa e Bissorã ficam no "mato", disso ninguém tem dúvidas. A resposta do nosso camarada Carlos Fraga só pode ser, honestamente, a resposta 3 (Não, não havia)... E a do César Dias será 1. Sim, esposas (não guineenses).

Em caso de dois ou mais aquartelamentos por onde passou, no TO da Guiné, o respondente ao inquérito deve tomar como referência aquele onde esteve a maior parte da comissão: por exemplo, se se esteve 15 meses no Xime, e os restantes 6 meses em Quinhamel, deve-se tomar como referência o Xime e não Quinhamel, e sempre o período em que lá se esteve (por exemplo, 1969/71 ou 1972/74).

O formato do questionário só nos permite trabalhar com mais de uma pergunta. Além disso, a pergunta tem de ser curta... Admite, no entanto, mais do que uma resposta: neste caso, por exemplo, até 3 respostas:

1. Sim, esposas (não guineenses); 2. Sim, esposas e filhos (não guineenses); 3. Sim, familiares guineenses (sem ser das milícias).

O Zé Martins tem razão no que diz respeito às tropas do recrutamento local (excluindo milícias...) como era o caso da CCAÇ 5 (a que ele pertenceu, em 1968/70) ou a CCAÇ 12 (a que eu pertenci, em 1969/71) ou a CART 11 (a que pertenceu o Valdemar Queiroz, 1969/70).

No caso de Canjadude, se calhar não havia uma clara distinção entre a tabanca e o aquartelamento. Pode-se considerar que os nossos camaradas guineenses da CCAÇ 5 viviam com as famílias no perímetro militar... Já no caso da CCAÇ 12, não, os nossos soldados africanos viviam com as famílias nas tabancas (Bambadinca e Bambadincazinho), fora do "arame farpado", e sempre armados de G3... Não havia casernas para eles, no quartel de Bambadinca. No meu caso, a única resposta que eu deu foi 1. Sim, as esposas (não guineenses)... 

Também passei quase dois meses em Contuboel (junho/julho de 1969), mas não me lembro de lá "ter visto" sequer esposas de militares metropolitanos...

Os camaradas que estiveram em Bissau optarão, honestamente, pela hipótese de resposta: 5. Não aplicável: não estive no mato.

Os respondentes podem sempre, até ao encerramento do inquérito (ou ao "fechar da urna", corrigir a sua opinião /mudar de voto (*).
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terça-feira, 30 de junho de 2015

Guiné 63/74 - P14812: Inquérito online: O rio da minha... tabanca... O meu rio da Guiné, aquele que mais amei / odiei... Responder até ao dia 3 de julho



Rio Mansoa > Ponte destruída | Foto Carlos Fraga



Rio Mansoa > Bolanha e ponte  | Foto César Dias



Rio Corubal > Rápidos do Saltinho | Foto Albano Costa


Rio Cumbijã > Imediações de Cufar | Foto António Graça de Abreu



Rio Cacine > Corrida de sintex | Foto João Martins


Rio Udunduma > Jangada | Foto Renato Monteiro



Rio Cacheu > LFG Sagitário | Foto cmdt A Rodrigues da Costa | Cortesia de Manuel Lema Santos

Edição Blogue Luís  Graça & Camaradas da Guiné (2015). Direitos reservados


I. Mensagem enviada ontem pelo correio interno da Tabanca Grande:


Assunto - O rio da minha... tabanca

Amigos/as e camaradas:

Há um poema lindíssimo do Alberto Caeiro (um dos muitos heterónimos, como sabem, do genial Fernando Pessoa) que começa assim: "O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia" ... Podem lê-lo ou relê-lo a seguir, aqui, no sítio da Casa Fernando Pessoa | Banco de Poesia | Autores | Alberto Caeiro. (*)

Mas eu esta semana queria falar do rio da nossa... tabanca. Todos, ou quase todos, ou muitos de nós, também deixaram lá, na "nossa" Guiné, o seu rio de "estimação"... Em muitos casos, terá havido uma relação de amor/ódio... Não admira: estávamos em guerra, não em turismo...

Não vamos aqui discutir a diferença entre rios, rias, braços de mar... A Guiné tinha/tem, para além do deslumbrante (e de trágicas memórias) Corubal, outros rios (, de água doce e/ou salgada, ) que cruzámos, por onde viajámos, ou em cujas imediações fizemos operações ou estivemos aquartelados, do Cacheu ao Cacine... Noutros, mais pequenos (Udunduma, Caium, Armada ...), nadámos, pescámos, andámos de piroga... Enfim, quem não tem recordações dos rios, rias e braços de mar, a começar pelos nossos camaradas da Marinha ? Muitos de andámos fizemos uma ou mais viagem de de LDG, de LDM, de sintex, de piroga  e até  de "barco turra" (as embarcações civis que faziam a ligação a Bissau, nomeadamente no Rio Geba).

A sondagem desta semana é sobre "O meu rio da Guiné (o que mais amei/odiei)"... As hipóteses de resposta são;

1. Cacheu

2. Cacine

3. Corubal

4. Cumbijã

5. Geba

6. Grande de Buba

7. Mansoa

8. Tombali

9. Outro (o que corria junto do sítio onde estive)

10. Outro (não referido acima)

11. Nenhum


NÃO RESPONDAM por email, mas no blogue, "on line", ao alto, na coluna do lado esquerdo:

Só podemos dar uma resposta. A sondagem encerra no dia 3 de julho.

2. Aproveitem também para mandar fotos e histórias ligadas aos nossos rios da Guiné... Grandes e pequenos...



E se forem para férias, cá dentro ou lá para fora (, o que não está lá muito convidativo, o mundo está feio...) , mandem um "bate-estradas" (aerograma), a dizer que estão vivinhos da costa como a sardinha... (Até esta, infelizmente, está a desaparecer da nossa costa!).

Já inaugurámos a série "Nas férias do verão de 2015, mandem-nos um bate-estradas" (**):

Um bom resto de dia... Bebam muito água... porque por estes dias vai estar uma brasa... Xicorações apertados, Luís Graça

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Notas do editor

(*) Cortesia de Casa Fernando Pessoa | Banco de Poesia | Autores | Alberto Caeiro

XX

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.

O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

In O Guardador de Rebanhos

In Poesia, Assírio & Alvim, ed. Fernando Cabral Martins, Richard Zenith, 2001.

(**) Vd. poste de 26 de junho de 2015  > Guiné 63/74 - P14799: Nas férias do verão de 2015, mandem-nos um bate-estradas (1): Carta aberta aos camaradas da Tabanca Grande: o que fiz (e não fiz) como cofundador e dirigente da associação APOIAR (Mário Gaspar, ex-fur mil at art, MA, CART 1659, Gadamael e Ganturé, 1967/68)

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Guiné 63/74 - P13821: Memória dos lugares (278): Jugudul, abril de 2006: (i) as instalações do antigo aquartelamento das NT, então cedidas ao empresário Manuel Simões (1941-2014); (ii) a bomba de combustível Galp; e (iii) a destilaria de aguardente de cana de açúcar (Fotos de A. Marques Lopes)











Guiné-Bissau > Região do Oio > Jugudul > Abril de 2006 > Aspetos parciais do antigo aquartelamento de Jugudul, cujas instalações foram adquiridas por (ou cedidas a) o empresário  lusoguinense Manuel Simões (Bolama, 1941- Jugudul, 2014) a seguir à independência (*). Ali instalou a sua casa, uma bomba de combustível (da GALP) e uma destilaria de aguardente de cana de açúcar.

Nos últimos anos de vida (de acordo com o testemunho do Zé Teixeira que esteva na sua casa em 2013), o Manuel Simões acabou por  fechar a destilaria, por não poder concorrer com os preços praticados por uma outra  destilaria, com moderna tecnologia,  que abrira entretantio, nos arredores de Bissau.

Na altura, da viisita da malta do Porto, em abril de 2006,  o Manuel Simões também tinha uma ponta (herdade) onde cultivava caju.

Fotos: © A. Marques Lopes (2006). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: LG]
________________

1. São imagens do fim de uma época... e  de uma vida de 70 e tal anos vividos na Guiné. Referimo-nos ao Manuel Simões. Sobre ele escreveu, em comentário ao poste P13783, o António Rosinha:

"Essa figura de 'branco africanista' à portuguesa, que Manuel Simões representa, é que foi a estirpe de gente que foi totalmente incompreendida neste rectângulo onde se dizia que Àfrica era para os africanos, para não dizer 'terra dos pretos', como se dizia na realidade. Aliás, Mugabe também pensa assim."



As fotos são do A. Marques Lopes, tiradas no âmbito da viagem "Do Porto a Bissau", realizada em abril de 2006. (**).

Recorde-se, por outro lado, que a um ano e picos do 25 de abril de 1974, a tabanca de Jugudul esteve a "ferro e fogo" (6 mortos, meia centena de moranças destruída), , como recorda aqui o nosso camarada Carlos Fraga (Poste P11417, de 18 de abril de 2013);

(...) "Caro Luís: A tabanca do Jugudul foi destruída no ataque de 23/1/73. Tirei as fotos que te mandei dos restos dessa tabanca. As moranças já estavam construídas, quando lá estive a substituir as que foram destruídas no ataque." (...)

Consultando a história do BCAÇ 4612/72, verifiquei  que o novo reordenamento de Jugudul tinha começado, logo a seguir, em  7 de março de 1973, e que a construção da estrada Jugudul-Bambadinca era um "espinho" cravado na garganta do PAIGC... (LG)
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domingo, 5 de janeiro de 2014

Guiné 63/74 - P12544: Estórias do Xitole (David Guimarães, ex-fur mil, CART 2716, 1970/72) (6): Armadilhe-se tudo à volta!... Ou as malditas granadas vermelhas que mataram turras, tugas e macacos-cães...



Guiné > Zona Leste > Setor L1 (Bambadinca) > Xitole > CART 2716 (1970/72) > O Fado da Guerra ou... das Minas e Armadilhas ? Os Fur Mil Guimarães (tocando viola) e Quaresma, ambos sapadores...



Guiné > Zona Leste > Setor L1 (Bambadinca) > Xitole > CART 2716 (1970/72) >  Mina antipessoal PDM-6 reforçada com uma carga de trotil de 9 kg (as barras do lado direito). Detectada e levantada na estrada Bambadinca-Xitole pelo furriel de minas e armadilhas Guiimarães da CART 2716 ("Bem, lá ia uma GMC ao ar, isso sim!!!".)

Fotos: © David J. Guimarães (2005). Todos os direitos reservados.




Guiné > Região do Oio > Mansoa > BCAÇ 4612/72  > Sistema de defesa de um destacamento


Foto: © Carlos Fraga (2011). Todos os direitos reservados.



1. Texto do David Guimarães, residente em Espinho (ex-fur mul, at inf, minas e armadilhas, da CART 2716, Xitole, 1970/1972), um dos primeiros camaradas a aparecer, a dar cara, a escrever no nosso blogue, nos idos anos de 2005. O primeiro poste que temos dele é de 17 de maio de 2005, e era o nº 20 (Foi você que pediu uma Kalash ?). Este que reproduzimos a seguir foi o  75, de 23 de junho de 2005 (*).

É mais uma das suas estórias do Xitole, escritas no seu português castiço, e que retratam bem o quotidiano de um operacional de uma unidade de quadrícula, mais sendo ele um dos especialistas em minas e armadilhas:


2. Estórias do Xitole (6) > Armadilhe-se tudo à volta!... Ou as malditas granadas vermelhas que mataram turras, tugas e macacos-cães...

por David Guimarães

Quando ocupámos o Xitole, em substituição da CART 2413  que lá se encontrava [, no período de1968/70], procedemos de imediato ao armadilhamento da zona limítrofe do quartel. Foram colocadas muitas minas antipessoais, de fabrico português, com espoletas de pressão, reforçadas com mais cargas explosivas ou não, conforme a maior ou menor importância do local. O objetivo era impedir a aproximação e a infiltração do IN, criando um zona de segurança à volta do quartel...

Também era frequente serem pendurados, no arame farpado, objetos diversos desde latas de coca-cola até garrafas de cerveja, que ao menor movimento tocariam umas nas outras, dando sinal pelo som de que o arame estava a ser mexido... Isto era importante especialmente de noite...

Este processo de alarme e prevenção efetivamente só ajudou a, de início, apanhar-se alguns sustos, pois que não funcionava na prática, como devia de ser. Enfim era a fé de cada um… Um sistema de segurança altamente falível, pois que todos os dias tínhamos barulhinhos esquisitos, o que era natural....

Quanto às minas e armadilhas, essas, sabíamos que estavam muito bem colocadas e, essas sim, davam uma certa segurança... Apesar de tudo eventualmente fazíamos armadilhamentos temporários, a mais longa distância, usando para isso a granada armadilha instantânea que qualquer combatente da Guiné conhecia.

Todas as granadas eram formadas por cápsula fulminante, 3 cm de cordão lento e um detonador que fazia explodir a carga base... Todos nós nos lembramos da mina defensiva, de composição B, e do seu uso, bem como das ofensivas, cilíndricas, de carga de trotil (TNT).

A que estou a referir era exactamente cilíndrica, como a ofensiva, só que enquanto as outras tinham a cor verde azeitona, esta era vermelha e mais de metade era envolta com espiral de metal. A maior diferença, e por isso se chamava instantânea, era não ter os três cm de cordão lento. O percutor, acionado, logo fazia explodir o detonador e a carga base. Esta mina era altamente mortífera devido ao seu poder de fragmentação, provocado pelas espiras em aço.

Bem, mas isto não é uma aula sobre minas e armadilhas. Serve apenas para contar uma estória, do início também da nossa comissão.... Uma estória de guerra ou uma contrariedade.

Um camarada nosso, o [fur mil minas e armadilhas] Quaresma, lá foi para o mato com um pelotão para colocar uma dessas granadas instantâneas num trilho. Tudo feito como devia ser, a mina colocada estrategicamente na base de uma árvore de copa frondosa e arame de tropeçar a atravessar o trilho. Era a assim que mandavam as regras aprendidas, teoricamente, em Tancos...

Bem, pelas 4 da manhã (e na Guiné, a essa hora, ouvia-se tudo), há um grande rebentamento para aqueles lados da armadilha... Não há dúvida, a guerra fez-nos ser tipo animais:
─ Alto, alguém caiu, alto, alto!!!... ─ Já todos nos mordíamos para ir ver o sucedido.

Pela manhã, bem cedo, aí vai o pelotão de reconhecimento. Aproximação cautelosa ao local, sangue no chão...
─ Boa, que isto funcionou!

Mais sangue ali e acolá e eis que surge a vítima.... Um grande macaco, já morto... E não tinha camuflado!...
─ Ora, foda-se!

A guerra tinha disto...

David J. Guimarães


Em tempo: ironia do destino, o nosso camarada Quaresma acabou por morrer pela acção de uma granada dessas, a instantânea.. [Como já aqui foi contado, na estória do Xitole nº 1]

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Nota do editor:

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26 de agosto de 2013 > Guiné 63/74 - P11982: Estórias do Xitole (David Guimarães, ex-fur mil, CART 2716, 1970/72) (5): Uma noite em Tangali com ataque ao Xitole, o quico do furriel Fevereiro e o meu baptismo de... voo em 1971

(...) Era costume nós irmos fazer protecção nocturna à tabancas. Era também uma forma de acção psico... Um dia lá fui eu e o [furriel] Fevereiro a comandar uma secção do 3º grupo de combate. Tangali era o nome da tabanca, a última que estava à guarda do Xitole. Ficava na estrada Xitole-Saltinho (os da CCAÇ 12 muitas vezes passaram por ela). (...)



(...) Um dia, novinhos ainda, piras, com as fardinhas novinhas em folha, aí vamos nós. Sai o 1º Grupo de Combate. Patrulha em volta do aquartelamento para os lados de Seco Braima, o que era normal: acampamento IN. (...)

12 de maio de 2013 > Guiné 63/74 - P11556: Estórias do Xitole (David Guimarães, ex-fur mil, CART 2716, 1970/72) (3): Era do caraças o paludismo

(...) Nós sabemos o que era uma coluna logística, uma operação de reabastecimento, mas outros nem calculam o que seja... O vai haver coluna já era uma grande chatice... Andar até ao Jagarajá, à Ponte do Rio Jagarajá, a pé e a picar, não era pera doce... E depois? Se acaso acontecia mais algo a seguir? (...)

24 de abril de 2013 > Guiné 63/74 - P11456: Estórias do Xitole (David Guimarães, ex-fur mil, CART 2716, 1970/72) (2): Nem santos nem pecadores

(...) Até que enfim!... Acho que sim — não poderá haver tabus e ainda bem que o Zé Neto, o Zé Teixeira, o Jorge Cabral e o Luís são, afinal, os responsáveis por quebrarem o tabu... Falaram de algo que também é guerra... Foi e marcou a nossa guerra: a lavadeira, o cabaço, etc, etc... Ai, ai, ai, que começo a falar demais, ou talvez não... Creio que nunca houve grandes abusos nesse sentido, nunca foi preciso apontar a G3 a nenhuma bajuda, já uns pesos, enfim ... Que mal fazia, se era dinheiro de guerra?!...(...)

(...) Sempre me preocupei, durante a guerra, em contar cá para a Metrópole (era assim que então se dizia) não propriamente as peripécias da nossa vida militar mas as coisas mais belas que encontrava na Guiné: os mangueiros carregados de mangas, os milhares de morcegos que povoavam o céu ao escurecer e ao amanhecer e que dormiam nas árvores, os macacos, as galinhas de mato, etc. Eu achava que deveria poupar a minha família e que esta não teria que ouvir e até viver a guerra em directo: bastava para isso o sofrimento de saber que eu andava por lá (...).

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Guiné 63/74 - P12114: Álbum fotográfico de Carlos Fraga (ex-alf mil, 3ª CCAÇ / BCAÇ 4612/72, Mansoa, 1973) (12): O terror das minas...


Guiné > Região do Oio > Mansoa > BCAÇ 4612/72 > Foto nº 1 > Numa picada numa operação de patrulhamento. Eu estou em 1º plano. À frente os guias. Creio que foi numa picada que ia de Mansabá em direcção ao Sara-Changalena, picada que não era utilizada há anos e que pretendiam reabrir para reabrir o acesso directo a uma localidade que não me lembro o nome picada que atravessava o Sara-Changalena.



Guiné > Região do Oio > Mansoa > BCAÇ 4612/72 > Foto nº 2 >Na picada acima referida, depois de abandonarmos as viaturas. A partir daí foi a pé. Creio que sou o primeiro, de costas. Pormenor muito interessante é que nós não facilitávamos. Mantínhamos as distâncias entre os militares e em deslocações auto matinhamos as distâncias entre as viaturas e a velocidade e em zonas perigosas íamos a pé com as viaturas no meio da coluna às distâncias próprias.



Guiné > Região do Oio > Mansoa > BCAÇ 4612/72 > Foto nº 3 > Os guias

Guiné > Região do Oio > Mansoa > BCAÇ 4612/72 > Foto nº 4 > Os picadores


Guiné > Região do Oio > Mansoa > BCAÇ 4612/72 > Foto nº 5 > Durante a mesma operação. Intervalo para almoço. O calor era tanto que tirei o dolmen para o torcer encharcado de humidade. Outro pormenor. Tínhamos sempre as armas prontas. Almoçava-se ou descansava-se com elas ao colo ou mesmo à mão.

Guiné > Região do Oio > Mansoa > BCAÇ 4612/72 > Foto nº 6 >Mina anti-pessoal




Guiné > Região do Oio > Mansoa > BCAÇ 4612/72 > Foto nº 7 > Mina A/P, referida na foto nº 6, montada pelo PAIGC, e devidamente detectada e desmontada pelas NT.


Fotos da autoria do ex-alfd mil Carlos Alberto Fraga, enviadas em CD pelo Jorge Canhão e o Agostinho Gaspar, e outras por mail, pelo próprio Carlos Fraga. A ordem de numeração ( e a reconstituição da sequência são da responsabilidade do editor).
Fotos (e legendas): © Carlos Alberto Fraga / Jorge Canhão (2011). Todos os direitos reservados

1.  Continuação da publicação do álbum de Carlos Fraga, que foi alf mil, na 3ª CCAÇ/BCAÇ 4612/72, em Mansoa, na segunda metade do ano de 1973. Foi adjunto (num curto período de 4 meses, até finais de 1973) do cap [José Manuel] Salgado Martins, indo depois ele próprio comandar, como capitão, uma companhia em Moçambique, a seguir ao 25 de abril de 1974. [ O cap art José Manuel Salgado Martins, transmontano, hoje coronel na reforma, a viver nos Açores. Nunca veio a nenhum encontro da companhia, constituídio maioritariamenmte por malta do Algarve, Alentejo e Lisboa..

Adenda às legenda, pelo  Carlos Fraga:

As fotos que se seguem [. vd. acima], foram tiradas numa operação de patrulhamento. Fomos por uma picada que saía de Mansabá e seguia para o Sara-Changalena. Isto passa-se,  salvo erro,  em 18/08/73. Nesse dia detectámos uma mina anti-pessoal que foi desmontada pelo Capitão Salgado Martins.

Tratava-se de uma mina anti-pessoal do PAIGC. Note-se que está plantada ao pé de um tronco de árvore. A ideia era quem se sentasse para descansar no tronco pisava a mina.

Estava desenterrada. Nisso os macacos eram nossos aliados. Com a curiosidade iam mexer. Foram eles que a desenterraram. Às vezes os pobres dos bichos também iam pelos ares,  vitimas da curiosidade. 

Nós queríamos rebentar a mina de longe mas o Cap Salgado
 Martins,  que era um belíssimo comandante de companhia
e corajoso,  embicou que conseguia desmontar a mina e desmontou-a.  [Foto à direita: O ex- cap art José Manuel Salgado Martins, transmontano, hoje coronel na reforma, a viver nos Açores. Nunca veio a nenhum encontro da companhia, constituídio maioritariamenmte por malta do Algarve, Alentejo e Lisboa, segundo informação do Jorge Canhão.Foto do Carlos Cordeiro].

Nessa operação aconteceu um episódio pitoresco. Mal tínhamos começado a andar na picada quando ouvimos um restolhar do lado direito. Por instinto agachámos e virámos as armas para o mato,  do lado direito,  e surge uma gazela (ou bicho semelhante) que passa entre nós de um lado para o outro. 

Desatámos a rir. Era o que menos se esperava.

Carlos Fraga
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Nota do editor:

Último poste da série > 2 de agosto de 2013 > Guiné 63/74 - P11898: Álbum fotográfico de Carlos Fraga (ex-alf mil, 3ª CCAÇ / BCAÇ 4612/72, Mansoa, 1973) (11): Imagens de postais ilustrados (Parte II)

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Guiné 63/74 - P11898: Álbum fotográfico de Carlos Fraga (ex-alf mil, 3ª CCAÇ / BCAÇ 4612/72, Mansoa, 1973) (11): Imagens de postais ilustrados (Parte II)


Postal nº 11A


Postal nº 11B

Postal nº 12A


Postal nº 12B


Postal nº 12A


Postal nº 13B


Postal nº 14B

Fotos: © Carlos Fraga (2013). Todos os direitos reservados. [Edição: L.G.]

1. Continuação da publicação do álbum de Carlos Fraga, que foi alf mil, na 3ª CCAÇ/BCAÇ 4612/72, na segunda metade do ano de 1973, indo depois comandar, como capitão, uma companhia em Moçambique, a seguir ao 25 de abril de 1974).

Enquanto fez o seu estágio operacional no CTIG, o alf mil Carlos Fraga tirou fotos (e nomeadamente "slides") mas também comprou fotos, incluindo imagens de postais ilustrados. (*)

Publicam-se a seguir mais 7 fotos da sua coleção de postais ilustrados. Não trazem legendas. Pedimos a colaboração dos nossos leitores para  legendar as imagens.  Na nossa Tabanca Grande há seguramente amigos e camaradas que são capazes de identificar os grupos da população da Guiné do nosso tempo, aqui representados. É um desafio mas também um passatempo... de verão.

Como já aqui o dissemos,  havia da nossa parte pouca informação e conhecimento sobre a composição étnico-linguística da Guiné, da história e da cultura dos seus povos, das suas semelhanças e diferenças, etc.  A "instrução" que o exército nos deu, à pressa, era baseada no estereótipo etnocêntrico dos europeus...  A mim,  por exemplo, calhou-me uma companhia independente (a futura CCAÇ 12), composta por uma centena de militares do recrutamnente local, fulas e futa-fulas, que não falavam correntemente o português... Fomo-nos conhecendo mutuamente ao longo de 22 meses (incluindo o tempo da instrução de especialidade e de IAO, passado em Contuboel)...

Em 1950, os principais grupos étnicos (ou "tribos", como se dizia na época...) eram os seguintes: 

balantas (160 mil), 
fulas (108 mil), 
manjacos (72 mil), 
mandingas (64 mil), 
papéis (36 mil), 
brâmes (16 mil), 
beafadas (11 mil), 
bijagós (10 mil), 
felupes (8 mil), 
baiotes (4 mil) 
e nalus (3 mil) 

Os números são arredondados por excesso ou por defeito... Balantas, fulas, manjacos e mandingas representavam, só,  por sí, 60% do total. A população da Guiné era então de cerca de 510 mil, constituída em 98% por negros.  Os mestiços eram pouco mais de 4500 e os brancos não chegavam aos 2300...